Os artefatos xamânicos do Alto Rio Negro

Entre caminhos históricos e reivindicações atuais

Vista do Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira, Estado do Amazonas, Brasil. Arquivo pessoal dos autores, agosto de 2025.

Vista do Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira, Estado do Amazonas, Brasil. Arquivo pessoal dos autores, agosto de 2025.

A população

O Alto Rio Negro, situado na fronteira entre Brasil, Colômbia e Venezuela é uma das regiões amazônicas com mais alta densidade de população indígena, contando 23 etnias falantes 19 línguas, cada uma com suas histórias e tradições.

O período colonial

Durante o período colonial foram muitas as pessoas não indígenas que atravessaram essa área tentando instalar seu domínio político, econômico e religioso. Esse processo se intensificou entre os séculos XIX e XX, quando aldeias de povos pertencentes aos troncos Tukano e Arawak sofreram uma violenta perseguição por parte dos missionários, que destruíram as grandes casas dos saberes e se apropriaram dos artefatos xamânicos nelas guardados. Esse evento marcou o início de uma profunda transformação social e cultural que levou ao silenciamento de muitos conhecimentos tradicionais.

Preservação cultural

No entanto, a população indígena nunca deixou de resistir e transmitir seus valores, seus saberes e sua memória para as próximas gerações. Hoje, as muitas associações indígenas atuantes na região reivindicam para seus afiliados o reconhecimento da diferença étnica e os direitos correspondentes e promovem, em colaboração com organizações indigenistas não governamentais, associações internacionais, pesquisadores universitários e outras entidades, projetos e iniciativas voltados para a revitalização e valorização de memórias antigas e conhecimentos tradicionais. Entre eles, há o resgate dos artefatos xamânicos retirados no passado e do conhecimento por eles proporcionado, e a volta (por enquanto virtual) dos mesmos para suas regiões de origem: é sobre isso que iremos tratar nos próximos parágrafos.

Mesa de abertura composta por líderes da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro no Seminário Internacional “Libertando os Ancestrais: a volta dos artefatos xamânicos para o Rio Negro”, realizado em São Gabriel da Cachoeira (Estado do Amazonas, Brasil) de 25 a 29 de agosto de 2025.

Mesa de abertura composta por líderes da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro no Seminário Internacional “Libertando os Ancestrais: a volta dos artefatos xamânicos para o Rio Negro”, realizado em São Gabriel da Cachoeira (Estado do Amazonas, Brasil) de 25 a 29 de agosto de 2025.


O Rio Negro, o maior afluente do Amazonas, flui por uma região habitada por dezenas de povos indígenas, cada um com sua própria língua, história e tradições.

O contato com os brancos transformou essas culturas, mas não apagou sua presença, nem sua capacidade de resistir e transmitir o legado deixado por seus ancestrais.


Vista do Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira, Estado do Amazonas, Brasil. Arquivo pessoal dos autores, agosto de 2025.

Vista do Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira, Estado do Amazonas, Brasil. Arquivo pessoal dos autores, agosto de 2025.

O Rio Negro é o maior afluente do Rio Amazonas.
Com cerca de 2 mil km de extensão, sua bacia hidrográfica cobre uma área de quase 700 mil km2 ao longo da tríplice fronteira entre Colômbia, Venezuela e Brasil, onde deságua no Amazonas na cidade de Manaus. O curso do Rio Negro é convencionalmente dividido em três partes: superior, média e inferior.
A parte superior, também chamada de Alto Rio Negro, é historicamente habitada por 23 grupos indígenas pertencentes às famílias linguísticas Tukano, Arawak, Nadahupy e Yanomami.

Dentro da família Tukano, distinguimos os povos Arapasso, Bará, Barassano, Dessano, Karapanã, Kotiria, Kubeo, Ye’ba Mahsa, Mirititapuia, Piratapuia, Siriano, Tariano, Tukano, Tuyuka e Werekena, que se distribuem principalmente ao longo do curso dos rios Uaupés, Tiquié, Papuri e Apaporis.

Pertencem ao tronco Arawak os povos Baniwa, Kuripako e Baré, morando eles na bacia do rio Içana, e, ao tronco Nadahupy, os Hupdah, que moram nas margens dos rios Papuri e Tiquié, os Yupdëh, nos rios Tiquié e Apapaporis, e os Dow e os Nadeb, no médio e baixo Rio Negro.

Os Yanomami ocupam a região à esquerda do Rio Negro, na fronteira com Venezuela e o estado brasileiro de Roraima.

Entre eles, os povos dos grupos Tukano e Arawak são aqueles que mais compartilham semelhanças culturais, porém diferenciando-se por aspectos como as histórias de origem, a língua, as regras clãnicas, a atribuição a uma porção específica do território e a relação com um tipo de artesanato específico a partir dos recursos ecológicos mais presentes no território. Hoje, os membros desses povos vivem dispersos entre suas comunidades de origem, localizadas nas regiões do interior, e entre cidades de pequeno e médio porte, como Iauaretê, São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro, Barcelos e Manaus.

A relação com a dimensão urbana e com a sociedade não indígena é um aspecto presente desde os tempos coloniais, mas que se intensificou gradualmente no século XX com o envolvimento da população indígena em atividades econômicas de estilo ocidental e devido ao maior acesso que a cidade oferece a serviços como a saúde e a educação

As águas do Rio Negro correm, testemunhas silenciosas da história que pulsa na alma de seu povo, e não conhecerá a paz enquanto este não estiver devidamente reconhecido e respeitado

Práticas e cerimônias xamânicas são um dos aspectos centrais da cultura e da vida social, política e espiritual dos povos do Alto Rio Negro. Elas seguem um ciclo anual marcado por festivais coletivos associados a momentos importantes da vida humana e animal. Cada um deles corresponde a canções, danças e instrumentos musicais específicos. Entre os mais importantes estão os festivais do Dabucuri e o complexo ritual de Yurupari. Os primeiros são cerimônias de consolidação de laços matrimoniais e de parentesco entre familiares. Os ritos do Yurupari, por outro lado, estabelecem uma conexão entre o ciclo de vida humano e o tempo cósmico. Central nesse ritual é o uso de flautas e trombetas sagradas especiais, feitas de fragmentos da palmeira da paxiuba representativos dos ossos do ancestral comum—na narrativa local, a paxiuba representa o osso do ancestral comum de cada clã que, na hora que a palmeira foi derrubada, foi se quebrando em vários pedaços, cada um dos quais foi utilizado para realizar uma flauta. No momento em que são tocadas, o ancestral volta à vida, os tocadores se transformam nos ancestrais do clã e a separação usual entre passado e presente se dissolve. Dessa forma, a ordem em vigor no momento da criação do mundo é restabelecida, garantindo a reprodução da identidade do clã que realiza o ritual.

Em ambas as ocasiões festivas, os especialistas rituais de cura e os mestres de danças usam ornamentos específicos e manuseiam vários objetos rituais. Entre os ornamentos, destacam-se: os cocares para pôr na cabeça, os cintos e as faixas para braços e pernas, feitos de penas de pássaros e outros componentes de plantas e animais; os colares feitos de quartzo e dentes de onça; os bastões cerimoniais; as flautas de osso de veado; as flautas de pan e outros instrumentos musicais; os pequenos bancos de madeira; cigarros e suportes para cigarros. Cada um desses artefatos faz parte de um conjunto, composto por um exemplar de cada tipo e pertencente a um ancestral específico que os deu aos membros de uma comunidade no passado. Cada conjunto deve ser mantido separado dos demais, conservando em caixas de vime especiais, e só deve ser usado, por determinadas pessoas, em momentos apropriados, acompanhado de músicas e danças específicas.

Os ‘objetos’, como são chamados, não são apenas artefatos; são ancestrais, pedaços da alma de um povo, agora perdidos em terras estrangeiras.

Usar esses ornamentos não é apenas um ato de decoração corporal, mas implica uma verdadeira transformação no ancestral que eles representam. Por esse motivo, esses artefatos não são meras coisas indefesas, mas personagens que participam de uma mitologia sobre o universo. Cada um deles é designado com um nome específico e é territorializado a partir das próprias narrativas históricas em que aparece ou das quais é protagonista. Isso significa que ele pertence ao local onde foi criado e é lá que deve permanecer para sempre, entre os membros do clã que o produziu. 

Os ornamentos corporais e os objetos rituais têm uma vitalidade e um poder próprios, que são determinados pelo propósito e uso de cada um, se manifestando durante as práticas cerimoniais e xamânicas peculiares a cada clã. Por meio deles, os ancestrais se fazem presentese cuidam para que cada ação, no decorrer do ritual, seja realizada de acordo com as regras estabelecidas na época da criação do mundo.

Por isso, esses objetos são sagrados e o conhecimento que eles proporcionam segredo, pois ele não pode ser repassado para qualquer pessoa, sobretudo se essa for não indígena. Dentro de cada grupo étnico, eles são fundamentais para guardar e transmitir, às novas gerações, os modos próprios de viver e se organizar dos povos do Alto Rio Negro.

Eles ajudam a manter viva a identidade do clã que os preserva, pois carregam conhecimentos sobre história, técnicas, espiritualidade, natureza e território. Assim, fortalecem o vínculo com os ancestrais que representam e o sentimento de pertencimento cultural e territorial. 

Devido aos acontecimentos descritos nos próximos parágrafos, hoje, a maioria desses artefatos não se encontra mais nas suas comunidades de origem e as pessoas preservam deles apenas a memória histórica. Apenas na região do Alto Tiquié, Papuri e Uaupés, lugares que os colonizadores tiveram mais dificuldade em alcançar, ainda existe uma tradição a respeito.

Estes povos, guardiões de segredos ancestrais, viram seus mundos virarem cinzas, suas casas de saberes reduzidas a brasas pela intolerância brutal de mãos que nunca compreenderam a essência da floresta.

Seus objetos de poder foram sequestrados, arrancados de seus lugares de origem, e aprisionados em vitrines distantes, nos frios corredores dos museus da ‘civilização’.

Dançarinos Uanano fotografados por Curt Nimuendaju no início do século XX. © Arquivo do Museu do Estado de Pernambuco (reprodução fotográfica de Renato Athias).

Dançarinos Uanano fotografados por Curt Nimuendaju no início do século XX. © Arquivo do Museu do Estado de Pernambuco (reprodução fotográfica de Renato Athias).

Grupos de alunos separados por etnia. Internato da Missão Salesiana. Iauaretê. © Arquivo da Diocese de São Gabriel da Cachoeira.

Grupos de alunos separados por etnia. Internato da Missão Salesiana. Iauaretê. © Arquivo da Diocese de São Gabriel da Cachoeira.

A partir do século XVIII, com a sistematização do processo de conquista da Amazônia e a intensificação da exploração científica do território, os objetos indígenas produzidos no Alto Rio Negro passaram a circular com frequência cada vez maior fora de sua área geográfica e geopolítica.

Diversas personalidades contribuíram para a coleta de artefatos de vários tipos com o objetivo de enriquecer as coleções particulares e públicas que já haviam começado a ser criadas na Europa desde 1500.

Sua exibição pública tinha como objetivo educar a população sobre a existência de uma suposta sequência evolutiva das sociedades humanas, na qual os europeus ocupavam as primeiras posições e todos os outros grupos, inclusive os indígenas amazônicos, não passavam de “primitivos” sem qualquer forma de moralidade e civilização.

Dançarinos Uanano fotografados por Curt Nimuendaju no início do século XX. © Arquivo do Museu do Estado de Pernambuco (reprodução fotográfica de Renato Athias).

Dançarinos Uanano fotografados por Curt Nimuendaju no início do século XX. © Arquivo do Museu do Estado de Pernambuco (reprodução fotográfica de Renato Athias).

Quanto ao Alto Rio Negro, temos registros detalhados de sete viajantes importantes que cruzaram seu território. O primeiro foi o naturalista português Alexandre Rodrigues Ferreira, na década de 1780. Em seguida, o austríaco Johann Natterer, entre 1817 e 1835, o britânico Alfred Russel Wallace, em 1853, o iluminista franciscano Padre Illuminato Giuseppe Coppi, em 1880, o conde italiano Ermanno Stradelli, em 1890, o naturalista alemão Theodor Koch Grünberg, em 1903, e o etnólogo Curt Nimuendajú, em 1927.
Todos eles se preocuparam em descrever, de forma mais ou menos meticulosa, as populações que habitavam a região e suas práticas culturais, mas, acima de tudo, em coletar seus artefatos, o que muitas vezes foi feito por meio do uso de engano e violência.

Essa abordagem colonial se transformou em perseguição total com a chegada dos missionários salesianos em 1915. Determinados a erradicar o que consideravam uma “cultura do diabo”, eles queimaram todas as grandes casas de saberes e proibiram qualquer prática local relacionada a rituais xamânicos.

Os objetos xamânicos também foram levados, mas, em vez de serem destruídos, tiveram o mesmo destino daqueles coletados em épocas anteriores: ficarem trancados em salas frias e silenciosas de museus e institutos religiosos na Europa e nos Estados Unidos, onde permanecem até hoje.

Grupos de alunos separados por etnia. Internato da Missão Salesiana. Iauaretê. © Arquivo da Diocese de São Gabriel da Cachoeira.

Grupos de alunos separados por etnia. Internato da Missão Salesiana. Iauaretê. © Arquivo da Diocese de São Gabriel da Cachoeira.

Desenho representativo de um casal indígena Iurupixuna, realizado em 1787 durante a Viagem Filosófica liderada pelo naturalista luso-brasileiro Alexandre Rodrigues Ferreira entre 1783 e 1792. © Biblioteca do Real Museu e Jardim Botânico da Ajuda (1768-1836) (ULisboa/MUHNAC).

Desenho representativo de um homem indígena Cuturu, feito em 1787 durante a Viagem Filosófica liderada pelo naturalista luso-brasileiro Alexandre Rodrigues Ferreira entre 1783 e 1792. © Biblioteca do Real Museu e Jardim Botânico da Ajuda (1768-1836) (ULisboa/MUHNAC).

Desenho representativo de um homem indígena Uerequena, feito em 1787 durante a Viagem Filosófica liderada pelo naturalista luso-brasileiro Alexandre Rodrigues Ferreira entre 1783 e 1792. © Biblioteca do Real Museu e Jardim Botânico da Ajuda (1768-1836) (ULisboa/MUHNAC).

Mais do que a simples repatriação desses objetos, o que se busca é a gestão compartilhada de suas memórias.
Os sabedores indígenas precisam estar à frente desse processo, não apenas para libertar seus ancestrais, mas para recontar, em seus próprios termos, a narrativa que foi sequestrada junto com eles.

Dois homens com escudos de dança e lanças com chocalhos fotografados por Theodor Koch Grünberg no início do século XX. Arquivo do Museu dos Cinco Continentes em Munique (n.º de inventário FO-3-4-305). ©Museu Fünf Kontinente (CC BY-NC-ND 4.0).

Dois homens com escudos de dança e lanças com chocalhos fotografados por Theodor Koch Grünberg no início do século XX. Arquivo do Museu dos Cinco Continentes em Munique (n.º de inventário FO-3-4-305). ©Museu Fünf Kontinente (CC BY-NC-ND 4.0).

Entre os muitos problemas que esse contexto levanta está a maneira como os objetos xamânicos são armazenados em depósitos e/ou exibidos nas salas de museus públicos e missionários. Em primeiro lugar, a organização do clã que mencionamos não é respeitada de forma alguma. Pelo contrário, os ornamentos pertencentes a um mesmo conjunto são, na maioria dos casos, subdivididos por tipo (todos os cocares de um lado, os cintos de outro, os colares de quartzo de outro, para dar um exemplo), causando uma série de conflitos, em nível espiritual, entre entidades que se veem dividindo espaços que não lhes convém compartilhar.
Além disso, a narrativa adotada nas exposições raramente leva em conta as categorias indígenas por meio das quais esses artefatos são interpretados e a complexidade de significados e valores que eles transmitem, preferindo, em vez disso, visões ainda fortemente estetizantes e exotizantes nas quais predomina a figura do “selvagem” a ser educado. As referências aos abusos que os povos do Alto Rio Negro foram obrigados a suportar e dos quais saíram consideravelmente transformados – razão pela qual às vezes lhes é negado, pelo menos no nível da opinião pública, o próprio status de “indígena” – são poucas e muitas vezes ineficazes para oferecer ferramentas adequadas para compreender a atual realidade social e política desses grupos e os múltiplos processos de resistência e re-existência que eles colocam em ação.

Entretanto, e em contraste com essa abordagem, várias reivindicações foram feitas sobre esse patrimônio e a memória cultural que ele contém. Se não for possível uma restituição material, a demanda dos representantes indígenas é, no mínimo, que lhes seja garantido qualquer outro tipo de acesso (virtual, por exemplo) aos objetos e que haja uma gestão compartilhada das práticas museológicas desenvolvidas em torno deles que leve em conta as normas impostas pelos povos originários, tanto na forma como devem ser organizados e armazenados nos depósitos quanto nas narrativas que são propostas sobre eles e seus legítimos proprietários.

A digitalização das coleções não é um mero retrocesso diante dos desafios impostos pela restituição material, mas uma forma concreta e viável de restituição cultural, capaz de reativar vínculos e tornar o patrimônio novamente acessível às comunidades de origem.

PORTA CIGARRO

Máscaras baniwa expostas no Museu da Cultura e da Missão do Instituto Missionário da Consolata, em Turim. Arquivo pessoal dos autores. Fevereiro de 2025.

Máscaras baniwa expostas no Museu da Cultura e da Missão do Instituto Missionário da Consolata, em Turim. Arquivo pessoal dos autores. Fevereiro de 2025.

Um primeiro passo nessa direção foi, em 2017, o início de uma pesquisa com o objetivo de mapear todas as coleções de objetos xamânicos da região do Alto Rio Negro, particularmente aquelas originárias da bacia do rio Uaupés. Realizada por Renato Athias, antropólogo e professor da Universidade Federal de Pernambuco, em colaboração com alguns membros de populações pertencentes à família etnolinguística Tukano, ela parte do pressuposto de que não existe um inventário completo de todo o material que, ao longo dos últimos três séculos, foi retirado do território indígena e disperso em diversos museus brasileiros, americanos e europeus. O primeiro a ser pesquisado e fotografado foi o acervo do Museu do Estado de Pernambuco (MEPE), seguido por museus como o Smithsonian Institution em Washington, o Världskulturmuseet em Gotemburgo, o Welt Museum em Viena, o Quai Brainly em Paris e o Museu Etnologico Missionario do Colle Don Bosco em Asti, entre outros.

O desejo é que o material fotográfico produzido durante as visitas a esses importantes acervos seja sistematizado e devidamente contextualizado durante reuniões especiais com os guardiões do conhecimento histórico, cosmológico e xamânico dos povos do Alto Rio Negro, para então poder integrar o projeto promovido, desde 2005, pela principal associação indígena local (a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro/Foirn) de criação de um museu virtual dos povos indígenas do Rio Negro.

Na mesma linha, o início de uma colaboração com alguns componentes do projeto KNOT em 2024 levou ao estabelecimento de um diálogo com os representantes do Museu Etnológico Missionário Salesiano do Colle Don Bosco, que concordaram com a proposta de realizar uma digitalização em 3D de quatro objetos xamânicos mantidos em seu instituto na província italiana de Asti.

Os modelos estão disponíveis na seção “Museu Virtual” desta plataforma – e, em breve, no Museu Virtual dos Povos Indígenas do Rio Negro – acompanhados por informações elaboradas coletivamente por sabedores e lideranças indígenas e pesquisadores não indígenas durante o Seminário Internacional “Libertando os Ancestrais: a volta dos artefatos xamânicos para o Alto Rio Negro”, que ocorreu em duas fases. A primeira foi realizada de 25 a 29 de agosto de 2025 na Casa do Saber da Foirn em São Gabriel da Cachoeira, enquanto a segunda foi realizada de 6 a 19 de outubro de 2025 no Museu Etnológico Missionário em Colle Don Bosco. Este segundo momento concentrou-se na visita de três líderes indígenas às coleções e na sua reconexão física, emocional e espiritual com os artefatos produzidos por seus ancestrais e que carregam os espíritos deles..

FLAUTA DE OSSO DEVEADO

COLAR DE QUARTZO